Dextron Management Consulting

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10/9/2009 - HORA DE REPENSAR

Em 15 de setembro de 2008, a quebra do banco Lehman Brothers marcou o fim da festa. Crescimento econômico sem limites nem contraindicações, nunca mais. A bolha estourou, o sistema financeiro norte-americano foi a nocaute, a economia global entrou em metástase e declarou-se aberta a temporada de metáforas e clichês alusivos à crise mundial.



Em 15 de setembro de 2008, a quebra do banco Lehman Brothers marcou o fim da festa. Crescimento econômico sem limites nem contraindicações, nunca mais. A bolha estourou, o sistema financeiro norte-americano foi a nocaute, a economia global entrou em metástase e declarou-se aberta a temporada de metáforas e clichês alusivos à crise mundial.

Crise que não é marola nem tsunami. É estiagem: o mar de crédito fácil secou. No campo dos negócios, tal escassez se reflete em arrefecimento de setores altamente dependentes de crédito, cortes de custos, endividamento e guerra de preços para reduzir estoques e fazer caixa. Tempos difíceis, mas também auspiciosos.

A crise estimula a revisão radical dos fundamentos socioeconômicos, propiciando um salto evolutivo na mentalidade empresarial. Novos tempos impõem um novo modelo mental, que privilegie a sustentabilidade e o longo prazo. Ou seja, adeus à lógica da economia de escala. E bem-vindos à era da lógica da economia de escopo estruturada.

O panorama de negócios que começa a se desenhar agora exige que empreendedores e executivos compreendam que todo e qualquer negócio resulta, basicamente, do equilíbrio dinâmico entre alguns elementos estruturais fundamentais. Como uma casa.

O modelo econômico do negócio é o alicerce dessa casa. Garante a viabilidade e a sustentabilidade da empresa, ao alocar o capital com eficácia, de forma a gerar o máximo retorno econômico-financeiro, considerando aspectos-chave na geração de valor no cenário atual e também a longo prazo.

Sobre o alicerce econômico erguem-se três pilares: o modelo mercadológico (que define a geração, a composição e a sustentação do fluxo de receitas), o modelo operacional (que explica a estrutura de custos e despesas) e a plataforma estratégica (competências organizacionais, recursos, ativos estratégicos). Alicerce e pilares desta edificação teórica servem para sustentar uma proposta única de valor. Sem ela, o negócio é como uma casa destelhada, à mercê das intempéries do mercado.

No mundo pós-crise, será tarefa compulsória de empreendedores e executivos cuidar do equilíbrio de suas casas/empresas, em diferentes níveis de complexidade. Determinadas organizações, por exemplo, têm sua arquitetura formada por um verdadeiro condomínio de casas/empresas. Diante dos problemas impostos pela crise, quais delas vale a pena manter? Quais exigem “reformas”? Onde: no telhado, nos pilares, no alicerce? Outra situação complexa é a de empresas que, ao longo do tempo, agregaram negócios marginais à atividade-fim – os quais desequilibram o negócio assim como os chamados “puxadinhos” comprometem a estética de uma casa.

A visão baseada na economia de escopo é certeira ao identificar tais distorções, uma vez que concentra seu foco no core business, em suas possíveis sinergias e também em oportunidades descortinadas pela crise. O mundo, afinal, não acabou. Tudo continua – o consumo, o comércio, o capitalismo. Só que nada será como antes. Inclusive você e seu jeito de fazer negócios.

*Celso Hiroo Ienaga - CEO Dextron Management Consulting

Site Panorama Brasil (www.panoramabrasil.com.br) - Área de Notícias - Data da Publicação: 10/09/2009 20:51:00 - DCI - OPINIÃO
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